Segunda-feira, 5 de Junho de 2006

Eça é que é Essa - Texto de Manuel de Portugal in JM

Meus Amigos, porque achei simplesmente brilhante este artigo de opinião no Jornal da Madeira de Autoria de um Ilustre Senhor chamado Manuel de Portugal (o nome diz tudo) tomo a ousadia de o copiar porque o acho de Muito Interesse Público no momento actual. Aqui vai:


Por: Manuel de Portugal
MANUEL DE PORTUGAL
Eça é que é essa…
Cento e trinta e nove anos depois afundamo-nos numa filosofia de facilitismo. De negação do esforço. De desinteresse pelo estudo. Da degradação da Cultura e da Ciência. Preferindo o Consumismo à poupança, o subsídio ao espírito empreendedor. Por mais belos discursos socráticos que gargarejem para nos embalar, continuamos na cauda da Europa. Sem grandes perspectivas de futuro. E péssimas condições no presente. Eça é que é essa…

A crónica de hoje nem é da minha autoria, nem sequer fruto da minha imaginação. É uma daquelas histórias que circulam na Internet. Sem indicação da origem. Nem o nome de quem as congeminou. Das centenas que recebo noventa por cento são lixo. Cinco de publicidade. E dos cinco restantes talvez dois se aproveitem e tenham real valor. Como tudo na vida a Internet é uma arma de dois gumes. Tanto pode servir para aumentarmos a nossa Cultura como para desenvolvermos ainda mais a estupidez natural que herdámos no código genético. Me pareceu interessante a partilhar com os Amigos Leitores. Porque, depois de nela meditarmos, nos dará uma interessante lição.
Um professor de Filosofia iniciou a aula sem dizer uma única palavra. De imediato, sem preâmbulo nem pré-aviso, começou a abrir um grande frasco de maionese completamente vazio que tinha em cima da secretária. Sempre em silêncio foi-o enchendo com bolas de golfe. Perguntou depois aos alunos se lhes parecia que o frasco estava cheio. Em uníssono a classe afirmou que sim. Face à concordância geral abriu uma caixa de fósforos e começou a deitá-los por forma a preencher os pequenos espaços que subsistiam entre as bolas. De novo inquiriu se achavam que o frasco já estaria cheio. E de novo os alunos disseram que sim.
Em seguida abriu a gaveta da secretária e dela tirou uma caixa cheia de areia. Com cuidado vazou-a para dentro do frasco. Como é evidente a areia foi-se infiltrando nos minúsculos espaços que ainda existiam entre os fósforos e as bolas de golfe. Outra vez inquiridos e já entusiasmados com a experiência os alunos voltaram a afirmar que o frasco estava de facto bem cheio. O professor foi buscar duas chávenas de café que tinha num armário e, como se estivesse a fazer um passe de mágica, despejou o negro líquido dentro do frasco o qual se insinuou por entre as bolas, os fósforos e a areia que de pronto o absorveu.
Nesta altura os alunos começaram-se a rir pensando que o mestre não estaria já no seu juízo perfeito. Quando a risada acabou o professor enfrentou-os e com a maior calma do mundo começou a explicar: quero que percebam que este frasco simboliza a vida. As bolas de golfe são as coisas verdadeiramente importantes que temos na vida: a família, os filhos, os Amigos, a saúde, a alegria, os sonhos que vos apaixonam. São coisas que mesmo que perdêssemos todo o resto a nossa vida ainda continuaria cheia. Os fósforos são outras coisas também importantes, mas não tanto como as bolas de golfe: o trabalho, a nossa casa, o nosso automóvel, as pequenas coisas materiais que nos dão prazer. A areia é todo o resto de somenos importância. Mas se colocarmos primeiramente a areia e com ela enchermos o frasco não teremos qualquer espaço nem para os fósforos nem para as bolas de golfe. E se gastarmos todo o nosso tempo e energia com as coisas pequenas nunca teremos lugar para aquelas que são na realidade verdadeiramente importantes. Um pesado silêncio caiu sobre a aula. E o professor calou-se. Sabendo que os alunos precisavam de alguns minutos para digerirem estes tão sábios pensamentos. De repente um aluno das primeiras filas levantou a mão e em voz alta perguntou: mas então o que é que representa o café ?
O professor exibiu um largo e alegre sorriso. E, virando-se para ele, respondeu: ainda bem que perguntaste isso porque esse exemplo foi só para vos mostrar que por mais ocupada que a vossa vida vos possa parecer há sempre lugar para tomarmos um café com um Amigo…
Para além da simbologia contida neste ensinamento se olharmos para a nossa vida política em Portugal nestes últimos anos com tristeza constataremos que temos desperdiçado tempo precioso (e impossível de recuperar) com as pequenas coisas que não eram prioritárias. Os pequenos escândalos. As pequenas vigarices. As várias corrupções. E completamente descurámos a implementação das reformas profundas e absolutamente necessárias que a nossa sociedade desesperadamente carece. A começar pela Constituição. Que é aberrantemente castradora das forças dinâmicas da nação. E que, ao longo de décadas, criou um tecido social de ávidas sanguessugas que só pensam em direitos e nunca em deveres. Em reivindicar de mais e trabalhar de menos. Não vale a pena iludirmo-nos atirando culpas, como se fossem flechas, para este ou aquele partido. Para este ou aquele governo. Para este ou aquele político. Porque a todos, sem nenhuma excepção, cabe uma quota-parte das responsabilidades do descalabro financeiro a que o Estado chegou
Há coincidências dos diabos. Estava eu a escrever este texto quando o computador me dá um sinal sonoro e abre uma janela a avisar que tenho no correio electrónico uma mensagem nova. Ao abri-la me admirei do a propósito que vinha. E se acreditasse em sinais do Destino por certo a tomaria como uma dádiva dos deuses que no Olimpo da Internet regem as misteriosas forças da Era Tecnotrónica que estamos vivendo. Sem mais comentários e em consonância com o que acima escrevi a reproduzo para gáudio de uns e raiva de outros:
“ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver crises. Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio, política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência?”
Pergunta: quando foi isto escrito?
Resposta: em 1867.
Pergunta: onde foi publicado?
Resposta: no jornal “O Distrito de Évora”
Pergunta: quem foi o autor?
Resposta: Eça de Queiroz.
Cento e trinta e nove anos depois esta radiografia da nação portuguesa mantém uma actualidade que dá que pensar. Em primeiro lugar a evolução da mentalidade da nossa sociedade parece que estagnou no tempo.
Cento e trinta e nove anos depois desta radiografia apenas as palavras mudaram. Onde se lê “camarilha” leia-se “boys”. “Compadrio” traduz-se por “classe política” em que os papás-ministros arranjam bem remunerados tachos para os filhos e filhas com o maior desplante do mundo.
Cento e trinta e nove anos depois desta radiografia e apesar do descalabro das contas públicas a nossa situação financeira continua a agravar-se porque os nossos ministros, que são uns excelentes convivas e discursam com cortesia e pura dicção, continuam a arrastar uma política de acaso baseada em expedientes e pura especulação mediática.
Cento e trinta e nove anos depois desta radiografia o país continua a ser governado por carrilhinescas vaidades e faustosas inaugurações. Algumas inúteis. Outras apenas para que Sócrates possa aparecer na televisão a falar bem e a exibir sorrisos.
Cento e trinta e nove anos depois desta radiografia o país continua a saber as verdades amargas não pela Imprensa alienada de Lisboa, mas por uma Imprensa Regional que não esconde nem escamoteia a real situação em que nos debatemos e que os ministros tentam pintar de cor de rosa escondendo o mais que podem a negra tinta da China que melhor descreveria o estado da nação.
Cento e trinta e nove anos depois desta radiografia o país continua a viver num mar de expedientes. De pequenas, médias e grandes golpadas. De desenfreadas especulações. De irresponsabilizadas e impunes corrupções. Entregue a sinistras camarilhas, sociedades secretas, máfias nacionais e estrangeiras, crime organizado de todos os tipos e forças ocultas que exploram o país como se fosse uma quinta de sua propriedade e nós, os cidadãos, não mais do que uns pobres servos da gleba para produzirmos em seu favor, com baixos salários e insegurança dos postos de trabalho.
Cento e trinta e nove anos depois afundamo-nos numa filosofia de facilitismo. De negação do esforço. De desinteresse pelo estudo. Da degradação da Cultura e da Ciência. Preferindo o Consumismo à poupança, o subsídio ao espírito empreendedor. Por mais belos discursos socráticos que gargarejem para nos embalar, continuamos na cauda da Europa. Sem grandes perspectivas de futuro. E péssimas condições no presente. Eça é que é essa…

Por: Manuel de Portugal

sinto-me: Agradecido por Este Português
publicado por Paulo César às 10:58
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